A Maternidade da Vida a Dois

Hoje quem escreve em nosso blog é uma das mães que frequentam o Nasce. A Claudia Schroeder vai nos contar uma visão de mãe sobre coisas que não é todo o mundo que fala, vale a leitura!

A Maternidade da Vida a Dois

Desde que nos tornamos mães, a vida muda completamente. E é completamente mesmo. Diante desta mudança radical de nossos dias e noites, trocamos muitas informações com outras mães de primeira ou segunda viagem. Não só informações, mas também desabafos, além da busca do que fazer diante de uma situação que ninguém conta que a maternidade traz.

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Foto de Claudia Schroeder. Todos os direitos reservados.

Mas não estou aqui para falar da relação maravilhosa e assustadora entre nós e nossos bebês, da dificuldade da amamentação no início, na decodificação dos choros, no medo de dar o primeiro banho, na inexperiência de uma troca simples de fraldas. No meio dessa nova aventura entre a mãe e o filho, tem o pai. E esta nova vida é nova, também, na relação marido e mulher.

São muitas as questões. E varia de casal para casal. Aqui vou relatar alguns fatos, resguardando os nomes das pessoas, claro, porque eu não tenho o direito de expôr a vida íntima de ninguém. Tem histórias muito legais, como a de uma amiga que me disse: “Fiquei grávida, nunca mais fui ao supermercado. Meu marido, automaticamente, assumiu sozinho a tarefa.” Aplaudi este marido, pois a gente bem sabe que ir ao supermercado e carregar compras, cansa. E cansa com o barrigão e cansa sem ele pós-parto, porque ficamos muito tempo exaustas, sem dormir, sem comer direito, depois que o bebê nasce. Outras mulheres falaram: “Eu tive que assumir tudo. É como se eu fosse mãe solteira”. Aí eu pergunto: que pai é esse? Pois é, tem muitos assim por aí. Outros relatos que também ouvi até de amigos (homens) que tiveram filhos: “O pior é a falta de sexo. Tem caras que arrumam amantes, as mulheres sabem e dão graças a Deus.” Olha, eu até entendo o “ Graças a Deus” destas mulheres, porque no início, a última coisa que passa pela nossa cabeça ou corpo é sexo. E que se manifeste a primeira mãe que tenha ficado com extremo tesão na quarentena ou nos próximos meses depois dela. Mas isso tem uma razão científica: a Prolactina, responsável pela produção de leite, que inibe o desejo. Sábia natureza, né? Pois o corpo define que a tua prioridade é alimentar o teu filho e não a fome sexual.

Outra coisa simples e recorrente que ouço de mães que acabaram de ter os seus bebês: “Eu só quero uma mamadeira bem lavada, que troque uma fralda sem que eu precise pedir, que eu possa dormir por duas horas, sabendo que se o meu filho acordar, alguém vai estar ali cuidando”. A verdade é que a maioria das mulheres, por instinto, mesclado à uma leve loucura, passa pelo delírio de que se não é ela, não vai ser bem feito. Isso porque o vínculo que criamos, principalmente, durante a amamentação é tão forte que se tem a sensação de que se morrermos, ele vai morrer também. As mães ficam pensando: agora não posso morrer, também não posso dormir, tenho que ver a fralda para não assar, tenho que comer para produzir leite, tenho que ver se o bebê está respirando enquanto dorme e se ele não está suando, pra evitar uma pneumonia. Tudo verdade, mas não tem que ser assim. E para não ser assim, temos que ter algo chamado confiança no outro. Seja na babá, na enfermeira, na avó, no pai do teu filho. Melhor que se possa contar com todos. Mas segundo as conversas que tive, isso não é nenhum pouco real.

Uma conhecida me disse: “Meu marido faz tudo: dá banho, prepara mamadeira, faz dormir, troca as fraldas sempre que está em casa, brinca com ele”. E aí eu pergunto: e você? Faz o quê? Acho que existem radicalismos. Eu fui criada ouvindo sobre um tema: direitos e deveres iguais. Na minha opinião os dois – pai e mãe – tem que dividir todas as tarefas. Caso o pai não tenha a menor habilidade para trocar uma fralda (meu pai nunca conseguira trocar uma fralda minha quando eu era bebê), que ele fique responsável por outra tarefa integral.

Hoje em dia, todo mundo rala, trabalha e a mãe ainda carrega uma barriga grande e pesada por 40 semanas, isso quando não sofre com enjôos e problemas mais sérios durante a gestação. Sinto que o homem não pensa muito nisso (ao menos a maioria deles), diante de tudo o que ouço da maioria das mães. Por isso, muito casamento acaba com os filhos ainda jovens: os casais não suportam essa mudança, essa divisão de tarefas, essas responsabilidades, a rotina necessária e o trabalho que dá colocar alguém no mundo. Se não há cumplicidade, ajuda, acho que não há seguimento da relação.

Muitas pessoas me disseram algumas vezes: “Nos primeiros meses, todo mundo pensa em se separar.” A primeira vez que ouvi isso, parecia algo contraditório, pois a gente faz um filho por amor, deseja, planeja e mesmo com todas as condições, pensa em se separar? Sim, pensa. De 20 pessoas com quem conversei a fundo, 18 confessaram isso de uma ou outra forma. Uma delas, ainda com o bebê na barriga, me disse: “Olha, eu amo muito o meu marido, mas eu acho que eu não vou aguentar, não vou querer conviver com as suas manias egoístas. Tenho quase certeza de que ele não vai me ajudar com o nosso filho.” Outra me disse, recentemente: “O meu maior medo é fazer tudo sozinha, me sobrecarregar e, por consequência, meu casamento que acabou de acontecer (ela casou já grávida), acabe.” Em contrapartida, também ouço mães maravilhadas com seus maridos. Ficaram surpresas e mais apaixonadas. “Nunca imaginei que ele fosse se tornar melhor ainda, é um baita pai. Não preciso pedir pra fazer uma coisa ou outra, pelo simples fato de que ele entendeu que nós dois somos responsáveis pelo nosso filho.”

O fato é que deixamos de ser homem&mulher, namorado&namorada para virar pai&mãe. E isso requer paciência, compreensão, ajuda no que não se ajudava antes. E, por incrível que pareça, são ajudas simples demais. E podem se tornar prazerosas. Eu adoro trocar as fraldas do meu filho, preparar e dar papinha, fazer a mamadeira, dar banho, escolher a roupa e fazer ele dar gargalhadas, sendo a mais ridícula das pessoas, dançando feito uma lagartixa na frente dele. Amo fazer tudo isso, mas cansa. Cansa cuidar do trabalho fora de casa e da casa, do filho e das coisas pessoais, do supermercado, da louça na pia, do pano no chão que sujou, da vida a dois e agora, a três. Cansa demais e a gente vai enlouquecendo. E é irônico, porque é muito simples não se deixar enlouquecer. É só dividir as tarefas e aproveitar o amor que é ter um bebê.

De todas as pessoas que conversei, foi uma unanimidade: manter a relação é simples. São nas pequenas ajudas que aumenta o respeito e se mantém o amor. Então se você está pensando em ser pai ou mãe, lembre-se que a vida vai mudar por completo e que todos os egoísmos (de ambos) precisam ser deixados de lado e, principalmente a mãe, vai precisar de ajuda no início. Ajuda física, psicológica, vai precisar de carinho, atenção e cuidado. Se ela não se sentir cuidada, assim como ela faz com o bebê, ela vai se sentir abandonada. E o abandono é o início de um fim que não precisa acontecer.

Pais: cuidem de suas esposas. Mães: peçam ajuda para os seus maridos. Maridos: sejam pais, entendam o pedido de ajuda. Esposas: expliquem que vocês são mães agora, mas que voltarão a ser esposas se houver carinho, compreensão, paciência e parceria até na fralda lotada de cocô. É tão lindo ter um bebê e formar uma família, só é preciso preservar.

E palmas para aqueles que não tiveram nenhuma crise e que tudo aconteceu naturalmente. Façam a sua parte e perpetuem esta atitude que é a maior prova de amor pelo outro. E por esta nova vida que vai mudar incrivelmente a de vocês.

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2 Respostas para “A Maternidade da Vida a Dois

  1. Ana Paula

    Vou me manifestar como a mãe que nunca perdeu o desejo sexual, pelo contrário, eu e meu marido parecemos estar ainda mais apaixonados! Paramos de transar na 38ª semana pq eu comecei a ter dilatação e retomamos no dia em que tirei os pontos da cesárea, com 12 dias. Que coisa boa!!! Sexo é parte fundamental na minha vida, não me imagino vivendo sem. Quanto ao resto, resolvemos não ter ajuda de terceiros, ficamos por 1 mês inteiro só nós dois cuidando de nossa bebê. Foi a melhor coisa que fizemos! Nos tornamos muito mais cúmplices, parceiros e conhecemos nossa filha como ninguém. Resultado? Relação muito mais fortalecida, bebê seguro que quase não chora (cólica? pra mim é mito!). Houveram momentos tensos? Lógico! O cansaço estressa as pessoas e a pressão de fazer tudo certo mais ainda. Hoje, 4 meses depois, não passamos 1 semana sem sexo, e eu amamento 90% das refeições, pois até isso dividimos, ele dá o mamá da noite, ou seja, prolactina não prejudicou nada.
    Bjs a todas, ótimo post!

  2. Eu acho que vocês dois servem como exemplo de que é possível sim, viver bem depois que o bebê chegar. Parabéns e um grande beijo.

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