Menino ou menina? Por que pais querem filhos e mães querem filhas

Aquela fala tão comum: “Não importa o sexo do bebê, só quero que ele seja perfeito” pode estar com os dias contados, se depender do resultado de uma pesquisa da Queen’s University, do Canadá. De acordo com os pesquisadores, mulheres querem ter meninas, e homens querem ser pais de meninos.

Os resultados da pesquisa são surpreendentes até para os pesquisadores, que entrevistaram mais de 2.000 pessoas – estudantes, professores e funcionários da faculdade – sobre questões de preferência de gênero da prole. Eles imaginavam que os respondentes não demonstrariam preferência, mas perceberam que não importava a questão, sempre havia uma preferência de acordo com o sexo dos entrevistados.

As perguntas feitas foram as seguintes:

1. Qual o sexo que você prefere para seu primeiro bebê (ou, se você já teve filhos, qual sexo esperava)?

2. Se você tivesse (ou tem) mais de um filho, você preferiria que a maioria deles fossem do sexo masculino ou feminino?

3. Se você tivesse apenas um filho, de que sexo gostaria que ele fosse?

“Atualmente, a preferência de gênero é conflitante com esforços de muitas nações, especialmente na Europa Ocidental e América do Norte, de organizar ações sociais e políticas voltadas para a eliminação de toda forma de discriminação de gênero”, escreve um dos autores da pesquisa.

Mas, ainda assim, a preferência persiste. Por que?

A prefêrencia masculina por filhos meninos é fácil de explicar se pensarmos na evolução. Homens tem mais chances de perpetuar os genes da família, ao poder ter mais filhos que uma mulher poderia.

A preferência feminina por filhas meninas tem um significado um pouco diferente. Talvez seja o desejo maternal de ter experiências de gestação para compartilhar, talvez seja o desejo de ter laços emocionais de mãe e filha. Pode-se chamar de tendência ao legado, dizem os autores, e considerar que a mulher moderna é tão orgulhosa de sua posição de poder em relação à sociedade que ela quer compartilhar isso com suas filhas.

“Há uma tendência na América do Norte de enfatizar grandemente o sucesso pessoal através do sucesso de seus filhos”, explicam os autores. “Os dados sugerem que esta oportunidade de legado é percebida pelos homens em seus filhos, e, por mulheres em suas filhas”.

O estudo não aprofundou questões como a seleção de sexo do bebê para atingir os sonhos dos pais, mas um editorial publicado na revista da Associação de Medicina Canadense sugere que os pais não deveriam saber do sexo do rebento até a 30ª semana, ponto no qual os abortos não são mais permitidos naquele país.

O aborto de fetos do sexo feminino não é tão incomum em países como Índia e China, mas, aparentemente, isso vem acontecendo, também, em alguns grupos étnicos no Canadá e Estados Unidos.

“Mulheres são desvalorizadas”, escreve o Dr. Rajendra Kale, editor chefe da revista. “Como contornar esse problema? A solução é adiar a informação para os pais até depois de 30 semanas de gestação”.

Isso provavelmente não seria bem aceito, visto que as gestantes se acostumaram a saber o sexo antes de 20 semanas de gestação, mas, apesar das mulheres terem o direito à informação, “o sexo do feto é uma informação médica irrelevante, exceto nos casos de raras doenças ligadas ao sexo, e não afeta o cuidado com a gestante”.

Em agosto, a revista da Associação Americana de Medicina apresentou um artigo sobre um teste que determina o gênero por volta de 7 semanas de gestação, bastante comum na Europa. No artigo destaca-se:

“É claro que, na realidade, os esforços de seleção de sexo têm acontecido desde sempre. Mulheres têm sido aconselhadas a programar o ato sexual próximo ao período de ovulação para garantir ter um menino. Em 2010, pesquisadores anunciaram que o consumo de nozes e laticínios ajudava a conceber meninas. Até o Talmud, texto judaico, entra na história, recomendando que a cama matrimonial seja disposta em sentido norte-sul para conceber filhos homens.

‘O desejo de saber o sexo não foi gerado pela tecnologia genética, diz Toby Schonfeld, da Emory University School of Medicine. ‘Se pensarmos que obter essa informação cedo pode fazer a decisão pelo aborto menos traumática, física e emocionalmente, seria algo bom. Mas é socialmente razoável dizer que tem um filho menino mas quer uma menina? Não sei’.”

Versão original [em inglês].

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